Os Distúrbios de Aprendizagem

dificA Psicopedagogia atua diretamente com  as dificuldades de aprendizagem, estabelecendo  um  viés entre o sujeito aprendente  e  o  significado  real da construção de seu conhecimento. Portanto, o enfoque  na clínica psicopedagógica deverá ser focado nas possibilidades de superação destas dificuldades. Importante salientar que  as dificuldades apresentadas pelo sujeito devem  ser  trabalhadas no sentido de que  as intervenções psicopedagógicas  não as reforcem, mas que apresentem estratégias facilitadoras e promissoras para o processo de aprendizagem.

Embora  alguns professores,  pais e especialistas  confundam dificuldade de aprendizagem com distúrbio de  aprendizagem , ambos não se caracterizam como sinônimos, contudo podem estar  estão associados.

No Brasil, foi ( Lefévre:1975) que introduziu o termo distúrbio de aprendizagem como sendo: “síndrome que se refere à criança de inteligência próxima à média, média ou superior à média, com problemas de aprendizagem e/ou certos distúrbios do comportamento de grau leve a severo, associados a discretos desvios de funcionamento do Sistema Nervoso Central (SNC), que podem ser caracterizados por várias combinações de déficit na percepção, conceituação, linguagem, memória, atenção e na função motora”.

Já as Dificuldades  de Aprendizagem podem ser  naturais ou secundárias   ocasionando  oscilações   no rendimento escolar.

Conforme (Fonseca: 1995) ”distúrbio de aprendizagem está relacionado a um grupo de dificuldades específicas e pontuais, caracterizadas pela presença de uma disfunção neurológica. Já a dificuldade de aprendizagem é um termo mais global e abrangente com causas relacionadas ao sujeito que aprende, aos conteúdos pedagógicos, ao professor, aos métodos de ensino, ao ambiente físico e social da escola”.

(Ciasca e Rossini: 2000)  defendem que a dificuldade de aprendizagem é um déficit específico da atividade acadêmica, enquanto o distúrbio de aprendizagem é uma disfunção intrínseca da criança relacionada aos fatores neurológicos.

Quanto os Transtornos de Aprendizagem, os mesmos encontram aporte para classificação no CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas relacionados com a  Saúde  e no DSM-V (Manual  Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais), sendo portanto, passíveis de diagnósticos  quando os  resultados do indivíduo em testes padronizados  e  individualmente estão substancialmente  abaixo  da média.

Ressalto que é de extrema relevância esclarecer que a Escola, enquanto espaço propagador do conhecimento, deve estar atenta as características próprias dos distúrbios, contribuindo para  a observação e sinalização dos mesmos de forma cautelosa. Não cabe ao professor dar diagnósticos, mas sim sinalizar  através de observações pontuais o comportamento revelado pelo aluno no cotidiano escolar.

Vejamos então alguns dos distúrbios mais  revelados na escola pelos alunos e  no consultório por pacientes:

 Disgrafia

Conhecida vulgarmente como a ”letra feia “,  ou seja  falha na aquisição da escrita, com uma caligrafia ilegível, implicando uma inabilidade ou diminuição no desenvolvimento da escrita. Quem apresenta este distúrbio possui lentidão para escrever, escrita desorganizada e letra ilegível. Em alguns casos a caligrafia é uma  indicação favorável.

Dislexia

Refere-se a uma  falha no processamento da habilidade da leitura e da escrita durante o desenvolvimento,  apresentando-se como um atraso no desenvolvimento ou a diminuição em traduzir sons em símbolos gráficos, bem como na e compreensão de  qualquer material escrito.  Na verdade o distúrbio é na leitura e  afeta a escrita. Apresenta como  algumas características: * Dificuldade de identificar símbolos gráficos ( letras e/ou números) dificultando na leitura e escrita; * Atraso na locomoção e na aquisição da linguagem;* Disgrafia (quem apresenta este distúrbio possui lentidão para escrever, escrita desorganizada e letra ilegível); *Leitura lenta e silabada;

*  Dificuldade de lembrar-se de fatos seqüenciais; * Ausência de memorização de locais, horário,  dias da semana, nomes, alfabeto; * Não interpreta linguagem com metáfora, tampouco realiza tarefas que são sucedidas de mais de um comando;* Em alguns casos tristeza, depressão e  auto-estima baixa em decorrência do insucesso escolar.

O fonoaudiólogo é o profissional  habilitado para suscitar essa hipótese diagnóstica  e  atender o paciente acometido deste distúrbio.

Discalculia

A discalculia é um dos transtornos de aprendizagem  que causa a dificuldade na matemática. Este transtorno não é causado por deficiência mental. Como características podemos citar:

*Falha na aquisição da capacidade e na habilidade de lidar com conceitos e símbolos matemáticos; * Dificuldade da criança em realizar operações matemáticas, classificar números e colocá-los em sequência; *Dificuldade em  reconhecer ou ler símbolos numéricos ou aritméticos, assim como  agrupar objetos em conjuntos; * Dificuldades em  assimilar tabuada.  Quando está na fase mais avançada  a Discalculia  também impede a compreensão dos conceitos matemáticos e sua incorporação na vida cotidiana. Segundo  o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DMS IV 2002), a Discalculia é definida como uma capacidade para a realização de operações aritméticas acentuadamente abaixo da esperada para a idade cronológica, a inteligência medida e a escolaridade do indivíduo. Este transtorno interfere significativamente no rendimento escolar ou em atividades da vida diária que exigem habilidades matemáticas.

Disortografia

A característica principal de um sujeito com disortografia são as confusões de letras, sílabas de palavras, e trocas ortográficas já conhecidas e trabalhadas pelo professor que persistem repetitivamente.  A troca de letras que se parecem sonoramente é uma constância, a saber: faca/vaca/ chinelo/jinelo/ porta/borta, pato/bato/ janela/ganela/ pipoca/ biboca.

Ressalto que é de extrema relevância esclarecer que à Escola enquanto espaço propagador do conhecimento deve estar atenta as características próprios dos distúrbios, contribuindo para  a observação e sinalização dos mesmos de forma cautelosa,uma vez que  não cabe ao professor dar diagnósticos,mas  sinalizar  através de observações pontuais o comportamento revelado pelo aluno no cotidiano escolar.

por Lilian Cunha da Silva Leite

lilianPsicopedagoga Clínica e Institucional
ABPp/RJ- 802
ABPp Nacional 12709
Pedagoga – Especialista em Supervisão Escolar e Docência Superior
Doutoranda em Ciências da Educação na Universidade de Cuyo

 

 

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